domingo, 18 de janeiro de 2015

Medianeras

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Estou num humor tão negro que só falta minha própria nuvem de tormenta sobre a cabeça.
Então, pra tentar equilibrar essa onda de baixas emoções e emoções baixas, vou me lembrar e deixar pra você um filme que espero sinceramente que já tenha ouvido falar.
Medianeras é um filme argentino de 2011, Dirigido pelo Gustavo Taretto (que vale a pena investigar).
Buenos Aires na Era do Amor Virtual não é focado em romance, é um filme reflexivo. Pra refletir você mesmo e, puxando pro lado da minha formação, o impacto das paredes à sua volta. Paredes físicas e figuradas. Sobre como nos conectamos com o entorno e nós mesmos. Sobre expectativas, proximidade e o quão liquida é a nossa realidade contemporânea, nossa vida coberta de fios e fachadas cegas.
"Martin (Javier Drolas) e Mariana (Pilar López de Ayala) vivem na mesma rua, em edifícios opostos, mas eles nunca se conheceram. Eles andam pelos mesmos lugares mas nunca notaram um ao outro. Quais são as chances deles se conhecerem em uma cidade de três milhões de habitantes? O que os separa, irá uni-los."
Acredito que além de todos os pontos positivos a citar, o que importa é o sorriso que não dá pra saber como ou desde quando ele está lá, mas que você vai perceber no fim dos 95 minutos.
Deixo então um dos mais simples e dos que guardo com maior simpatia no coração, essa exposição das nossas medianeras. Deixo pra você uma janela.

O homem cuja orelha cresce

O texto abaixo foi extraído do livro "Os melhores contos de Ignácio de Loyola Brandão", seleção de Deonísio da Silva, Global Editora — São Paulo, 1993, pág. 135. E da minha falha memória. Li esse texto num exercício ou prova de português na quinta ou sexta série, não lembro porque, mas gostei bastante. Acabei lembrando dele esses dias por motivos desconhecidos ou randomicos demais pra valer o comentário, enfim achei válido compartilhar;


Estava escrevendo, sentiu a orelha pesada. Pensou que fosse cansaço, eram 11 da noite, estava fazendo hora extra. Escriturário de uma firma de tecidos, solteiro, 35 anos, ganhava pouco, reforçava com extras. Mas o peso foi aumentando e ele percebeu que as orelhas cresciam. Apavorado, passou a mão. Deviam ter uns dez centímetros. Eram moles, como de cachorro. Correu ao banheiro. As orelhas estavam na altura do ombro e continuavam crescendo. Ficou só olhando. Elas cresciam, chegavam a cintura. Finas, compridas, como fitas de carne, enrugadas. Procurou uma tesoura, ia cortar a orelha, não importava que doesse. Mas não encontrou, as gavetas das moças estavam fechadas. O armário de material também. O melhor era correr para a pensão, se fechar, antes que não pudesse mais andar na rua. Se tivesse um amigo, ou namorada, iria mostrar o que estava acontecendo. Mas o escriturário não conhecia ninguém a não ser os colegas de escritório. Colegas, não amigos. Ele abriu a camisa, enfiou as orelhas para dentro. Enrolou uma toalha na cabeça, como se estivesse machucado.

Quando chegou na pensão, a orelha saia pela perna da calça. O escriturário tirou a roupa. Deitou-se, louco para dormir e esquecer. E se fosse ao médico? Um otorrinolaringologista. A esta hora da noite? Olhava o forro branco. Incapaz de pensar, dormiu de desespero.

Ao acordar, viu aos pés da cama o monte de uns trinta centímetros de altura. A orelha crescera e se enrolara como cobra. Tentou se levantar. Difícil. Precisava segurar as orelhas enroladas. Pesavam. Ficou na cama. E sentia a orelha crescendo, com uma cosquinha. O sangue correndo para lá, os nervos, músculos, a pele se formando, rápido. Às quatro da tarde, toda a cama tinha sido tomada pela orelha. O escriturário sentia fome, sede. Às dez da noite, sua barriga roncava. A orelha tinha caído para fora da cama. Dormiu.

Acordou no meio da noite com o barulhinho da orelha crescendo. Dormiu de novo e quando acordou na manhã seguinte, o quarto se enchera com a orelha. Ela estava em cima do guarda-roupa, embaixo da cama, na pia. E forçava a porta. Ao meio-dia, a orelha derrubou a porta, saiu pelo corredor. Duas horas mais tarde, encheu o corredor. Inundou a casa. Os hospedes fugiram para a rua. Chamaram a polícia, o corpo de bombeiros. A orelha saiu para o quintal. Para a rua.

Vieram os açougueiros com facas, machados, serrotes. Os açougueiros trabalharam o dia inteiro cortando e amontoando. O prefeito mandou dar a carne aos pobres. Vieram os favelados, as organizações de assistência social, irmandades religiosas, donos de restaurantes, vendedores de churrasquinho na porta do estádio, donas de casa. Vinham com cestas, carrinhos, carroças, camionetas. Toda a população apanhou carne de orelha. Apareceu um administrador, trouxe sacos de plástico, higiênicos, organizou filas, fez uma distribuição racional.

E quando todos tinham levado carne para aquele dia e para os outros, começaram a estocar. Encheram silos, frigoríficos, geladeiras. Quando não havia mais onde estocar a carne de orelha, chamaram outras cidades. Vieram novos açougueiros. E a orelha crescia, era cortada e crescia, e os açougueiros trabalhavam. E vinham outros açougueiros. E os outros se cansavam. E a cidade não suportava mais carne de orelha. O povo pediu uma providência ao prefeito. E o prefeito ao governador. E o governador ao presidente.

E quando não havia solução, um menino, diante da rua cheia de carne de orelha, disse a um policial: "Por que o senhor não mata o dono da orelha?"

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Whiplash

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Não há outra combinação de palavras mais nociva do que "bom trabalho"
Sou dos que gostam bastante das palavras. Tipo, muito. Do significado à escrita e a forma como soam. Tento ter sempre cuidado com elas e usar palavreado vulgar apenas internamente, mas caralho.
Eu andei parada em praticamente tudo de um tempo pra cá, não que alguem leia aqui pra perceber, mas realmente passei umas férias profundamente preguiçosas.
Ontem vi a Teoria de Tudo e fiquei ainda mais apaixonada pelo Eddie e a Felicity. Mas não foi essa gracinha que me trouxe aqui hoje, foi o Milles Teller.
Sem querer menosprezar, mas não esperava grande coisa do carinha de Projeto X, Finalmente 18, Namoro ou Liberdade e afins. Mas ele realmente mostrou ser competente.
A questão agora é o enredo. O quanto você gosta de filmes motivacionais? E filmes de música?
Esqueça, na verdade isso não importa, esse não é um daqueles que sua mãe te recomendou porque chorou bastante e acha que vai te fazer levantar do sofá e enfrentar a vida, talvez até arrumar um emprego.
Esse é um daqueles que vai te dar um tapa na cara, que vai te fazer querer ver as letrinhas dos créditos finais por pena de fechar a janela. Não, pena não. Esse é um daqueles vai te arrebatar e te deixar tão sem ação que não vai nem pensar em fechar. É tipo, caralho.
Essa é a história do Andrew, aspirante a Buddy Rich. A sinopse diz que "após chamar a atenção do reverenciado e impiedoso mestre do jazz Terence Fletcher (JK Simmons), Andrew entra para a orquestra principal do conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos. Entretanto, a convivência com o abusivo maestro fará Andrew transformar seu sonho em obsessão, fazendo de tudo para chegar a um novo nível como músico." Eu acredito que Andrew sempre teve a obsessão, só não tinha ainda quem não dissesse "bom trabalho", alguém que jogasse uma cadeira e o desafiasse.
Esse filme é um absurdo. Obrigada de nada.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Era e Foi

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Palavras de Falta/Coquetel do Roberto
   Era uma rua perto de casa, cheia de casas cheias de nada. Havia ali um lugar há muito vazio, deixado a alugar. Não demorou mais e encheu de caixas, estantes e uma cadeira macia e escura, convidativa. O lugar tinha então um cheiro engraçado de casa. Cheiro de livro velho, de velho amigo, de guardar no peito.
   O lugar, ou a casa, logo se tornou um onde, pra onde e sem porque. Virou na verdade motivo e razão, virou atraso pra aula e abraço, aconchego e palavra. Umas tardes de chuva, uma coca de dois litros, algumas pilhas de vinis. Amizade, poeira, alguns cigarros, muitas goteiras. Risos, trocas, memória.
   O tempo, senhor das coisas, foi tornando o onde-casa-lugar num algo comum. Talvez por inveja, talvez pra manter secretos os mistérios da vida que eram desvendados aos poucos nos silêncios compartilhados ali. Decidiu que tudo foi viraria rotina, se perderia no acho que hoje não dá. Com o tempo, a casa foi se apagando. Sem que se pudesse perceber, a falta ia se instalando no peito, a falta que doi.
    O lugar silenciosamente disse adeus.Hoje a rua parece mais vazia. Hoje as paredes são lembranças de nomes e sons gravados na alma. Hoje as prateleiras vazias cheiram a recordação, a rua cheira a histórias, saudade.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

It's almost Halloween, Everybody scream

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Ainda no clima, vou aproveitar pra falar de livros.
Você já deve ter ouvido do Poe, do King, do Lovecraft e outros escritores que cabem num post pro dia das bruxas. Mas não tenho certeza se você já ouviu falar no Chris Priestley.
Achei que se fosse falar de livros aqui por agora, seria sobre O Nome do Vento, mas vou deixar para depois. Hoje trago pra você Contos de Terror do Tio Montague.
"O livro conta a história de Edgar, um menino que se refugia na casa de seu excêntrico tio para ouvir suas histórias arrepiantes. Com pais que não dão muita importância para sua presença, Edgar procura o tio para passar o tempo, pois sua curiosidade em ouvir histórias horripilantes é tão grande quanto a vontade do tio de contá-las.
Para Edgar, os contos são apenas invenções fantasiosas do velho tio. Mas para Montague, são contos que deveriam não somente assustar o sobrinho, mas ensiná-lo que, quando o assunto é o além, todo o cuidado é pouco. Em uma espécie de metalinguagem, o leitor é apresentado aos contos assim como Edgar.
A narrativa fica cada vez mais densa à medida que o tio Montague escolhe histórias mais assustadoras para contar e, embora a narrativa seja leve e feita para ser lida em voz alta, os temas de cada conto são bem macabros e assustadores. Segundo Chris Priestley, essa é a ideia, pois o autor espera que seus contos assombrem os leitores assim como os de James e Poe o assombraram."
O livro é ricamente ilustrado e sofrivelmente dificil de achar, mas vale tanto que você mal acaba e já pensa no próximo. É uma trilogia btw.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Kevin fuckin Spacey

Não é conhecido como o melhor ator da história da humanidade, mas esse cara tá longe acima da média.
Marcou como o pai da Enid em Beleza Americana e voltou assombroso em House of Cards, que é na verdade sobre o que eu vou escrever hoje.
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Gravita em torno da vida na Casa Branca, sob o ponto de vista do deputado Frank Underwood (Kevin).
Porém a série vai além de política, o formato e o roteiro são geniais, alguns diálogos são diretos para o telespectador, quebrando impecavelmente a quarta barreira.
Não é uma série de ação, não tem drama, aqui não há paciência para coisas inúteis. O ritmo é lento, porém metodicamente planejado. É como se GoT fosse focado no Mindinho ou na Olenna, ou no Doran. É pra quem tem paciência e quer saborear o jogo.
Onde o poder é a lei, basta sentar e tentar segurar as palmas pra season finale da segunda temporada.
E bem, pra você que ainda não viu, não faz ideia do que eu estou falando, tenho certeza. Mas não se preocupe... Você vai um dia.

terça-feira, 15 de julho de 2014

"Something something.. remain."

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15 de Julho, Dia de São Swithin.
Segundo a tradição inglesa, as condições meteorológicas do dia 15 de julho (Dia de São Swithin, bispo de Winchester), permanecerão por quarenta dias.
Não sei se está chovendo no túmulo do velho bispo, mas aqui está e por mais que seja superstição tô feliz com a perspectiva de mais quarenta dias assim. Ou mais. Sei lá, vai que talvez uns vinte anos. 
Então hoje ou daqui a um ano, que seja um dia pra se tornar um elo memorável da corrente de anos que forma a nossa existência, que só vale a pena por ser interceptada por outras. Dias de agradáveis ilusões e casos comuns. De grandes momentos, ou quem sabe pessoas, a serem percebidos. Faça chuva ou faça sol, até que caminhões apareçam da próxima esquina. Ai, não. 
Um Dia, romance do David Nicholls e filme da Lone Scherfig, já foi alvo de comentários aqui. Mas.. só pra não passar em branco e lembrar mesmo.
E para não sair de bicicleta.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Penny Dreadful

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Livro ou revista muitas vezes escabrosa ou sensacional, romance melodramático barato.*
Imaginem a Eva Green num vestido vitoriano numa nova versão, com a fotografia e o enredo indiscutivelmente melhorado, da Liga Extraordinária. É basicamente isso que espera aqueles que aqui ousarem entrar.
Assim como sugere o título, encontramos os contos de terror pop, os romances melodramáticos baratos que todos conhecemos bem ou pelo menos já ouvimos falar. E de Um Lobsomem Americano Em Londres à Drácula, temos mistério, horror e suspense num desenrolar tão empolgante e bem construído que até conseguimos perdoar as fugas do texto original.
 Acabei a primeira temporada hoje e bem, que São Judas traga logo a próxima.

*Assim como Pulp Fiction; 
Ou revista pulp, nome dado a revistas feitas com papel de baixa qualidade (a polpa) a partir do início da década de 1900. Essas revistas geralmente eram dedicadas às histórias noir, além de fantasia e ficção científica e não raro o termo "pulp fiction" foi usado para descrever histórias de qualidade menor ou absurdas.

domingo, 15 de junho de 2014

Jane Eyre

Untitled 
I have found you.
O primeiro livro que gostei, dos que consigo me lembrar, foi Guerra no Rio. Uma história revolucionariamente ecológica que me empolgou a ponto de ficar gravada na memória. Com os anos, não vou culpar só a tv, acabei me desinteressando pela leitura. Então heroicamente Jane Austen me resgatou com Orgulho e Preconceito. Comecei me apaixonando pelo filme, o que acabou abrindo todo um novo caminho também. E entre mais filmes e livros, encontrei Jane Eyre.
O longa dirigido por Cary Fukunaga (True Detective) conta a história de uma órfã que foi enviada para um internato e que, uma vez formada, vai trabalhar como governanta em Thornfield Hall, lar do bruto e misterioso Mr Rochester.
Mia Wasikowska, que me ganhou em Inquietos, foi quem me convenceu a conferir. Me apaixonei pela história e pelo Fassbendersimclaro.
Essa é também situada no tempo de cavalheiros e vestidos longos, mas diferente das histórias da Austen, Jane Eyre só confirma a linha Brontë, o toque sombrio, intimista e triste.
O livro, que me orgulho de ter caindo aos pedaços na estante, é da irmã da autora do Morro dos Ventos Uivantes. Como adaptação, o filme deixa a desejar, mas não de ser lindíssimo.
Ainda peço por uma cena com aquela cartomante, mas elogio sinceramente o trabalho do Cary que aprendeu a não decepcionar.
E bem, é isso.

domingo, 1 de junho de 2014

Who the fuck is Lanna?

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É uma menina quase britânica de rock formada em 1998 nos subúrbios da cidade de Poço Verde, no Brasil.
Prima por conveniência e amiga por escolha, Lanna é essa pessoa legalzona que resolveu fazer um blog também. E como sou outra pessoa legalzona vou compartilhar com vocês.
O Briaanstorm ainda está no começo, mas convenhamos, o começo que é a parte divertida. Torcendo pra que não chegue a uma fase a.m, apresento a vocês minha padawan de consideração;
Well, see you later, innovator.

sábado, 24 de maio de 2014

Home/New Slag

 "É um dos filmes mais lindos e alegremente humanos que eu assisti nos últimos anos."
Garden State, ou Hora de Voltar, é o filme atuado e dirigido pelo Zach Braff. Acho que o que posso dizer é que esse fala sobre os marshmallows que não conseguimos guardar até o final, então a mente se perde.
Com uma trilha sonora linda e uma Natalie Portman mais linda ainda, Garden State conta a história do Andrew, que precisa voltar para sua cidade natal e lidar com a morte da mãe. Só que na verdade conta a história do Andrew, que precisa sair do torpor e começar a viver. Arrastado ao lugar onde cresceu, conhece a adoravelmente estranha Sam, que dá todo um novo sentido à originalidade e aos crocodilos, além de motivar o nosso herói.
De forma simples e despretensiosa vemos tanta coisa que nem sei por onde começar. Entre saber nadar, rir de si mesmo e chorar de vez em quando, acho que vou escolher o sentido de casa. Se ainda não começou a ouvir as músicas do título da postagem, pode procurar e apertar o play agora.
Não sei se você já ouviu falar de Edward Sharp & The Magnetic Zeros, mas consigo perdoar o fato de não terem colocado Home na trilha sonora desse filme porque ele meio que ilustra a música por si só. E quando em casa é onde onde você se sente um estrangeiro, talvez seja por que home no sentido home não seja um lugar exato. Talvez nem mesmo um lugar imaginário pra sentir saudade. Paro por aqui.
Então é isso e ainda sobre esses momentos que deixamos que determinem nossa vida e esses outros momentos que de alguma forma religam o interruptor e nos fazer perceber que é hora de voltar, de começar a determinar a própria vida.
E Bem, gold teeth and a curse for this town were all in my mouth.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

No Espaço Não Existem Sentimentos

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Um sorriso pra durar 85 minutos.
Metódico é uma pessoa que utiliza um sistema para realizar suas tarefas, no sentido mais comum é empregada para definir alguém que não foge dos padrões e que segue uma rotina pré determinada, que usa método como forma de organização pessoal e profissional.
Dono de um dos meus créditos iniciais preferidos, No Espaço Não Existem Sentimentos conta a história de Simon, Sam e a namorada. Os três vivem num ciclo perfeitamente calculado, evitando o caos da desordem. Porém, quando a namorada de Sam vai embora há uma quebra nessa rotina, por parte do dividir de tempo e tarefas e pelo estado emocional do Sam. Simon então começa uma busca, vai encontrar alguém estatisticamente perfeito para tomar o lugar que falta e manter o equilíbrio da vida.
A missão se mostra logo mais difícil do que parece, já que Simon tem síndrome de Asperger e dificilmente se aproxima das pessoas (criar laços envolve sentimentos e estes geram caos em sua cabeça).
Diferente de Mary&Max, esse filme não é um drama sobre uma amizade de pessoas sofridas sendo uma com Asperger, No Espaço é uma história imprevisível e absurdamente simpática sobre a ordem e o caos nas relações sob a perspectiva leve e divertida de alguém com a síndrome.
"Às vezes algum ruim leva a algo bom. Isso também é uma espécie de equilíbrio". O roteiro inteligente e criativo só não consegue ser mais meigo que a trilha sonora. Pra sorrir do inicio ao fim mesmo.

Undateable

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Se tornando uma pessoa real
Desenvolvimento pessoal e amadurecimento  não é um tema escasso no universo de 8mm. Frances Ha é um no meio desses. Simpático e recheado de situações familiares, conta a história de Frances, dançarina com altas aspirações que vê a vida de forma otimista, apesar das dificuldades e fracassos.
O visual cinzento, toda a história e personagens fazem do filme essa coisa cativante. O que achei mais interessante é que Frances não é uma adolescente, como geralmente os personagens principais de histórias com esse tema são, mas ela está sim em fase de crescimento: Pessoal, profissional e quem sabe mais de que. O que de certa forma, foi diferente também. Os personagens aqui não são vítimas, são humanos tentando lidar com escolhas como conseguem (ainda quero abraçar o Benji). O filme é um processo e, apesar das situações, não é nem de longe um drama.
Ter os planos de vida serem destruídos não é fácil, ver que amizades não se mantém intactas à todas as situações também não. Mas leve e de certa forma até emocionante e por vezes divertida, esse filme ainda consegue terminar nos deixando com aquela pontada de esperança de que no final, se não nos deixarmos abatidos, nossos objetivos podem sim ser alcançados e, mesmo que por outros caminhos, a satisfação pessoal e até felicidade podem fazer parte da vida.

terça-feira, 29 de abril de 2014

John Green

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Mais uma vez agradecendo às insistentes indicações da Bre.
Tive preconceitos com os livros dele assim que vi o público que o reverenciava. Por experiências prévias pude estipular que, se algo faz sucesso entre menininhas de 13 anos, não deve ser bom. Acabei por me render e resolvi conferir. O Green acabou se mostrando uma agradabilíssima surpresa.
Sim, são romances adolescentes, mas estão longe de ser apenas isso. Vi situações humanas e reais abordadas de uma forma diferente, focando na humanidade em si e não nos problemas. A personalidade de cada personagem, além de cativante, é perspicaz, é divertida. Cidades de Papel, por exemplo, consegue mostrar as raízes da vida  e da sociedade de uma forma que o Whitman sozinho não conseguiu, pelo menos não tocando tanto. John pode não ser o escritor do século, mas conseguiu se destacar escrevendo coisas importantes de maneira leve, por mostrar uma fase difícil e também, sim, clichê de um jeito cômico sem deixar de ser emocionante. É simples, mas nem de longe raso.

Cashback

Ben Willis, estudante de arte, desenvolve insônia depois do rompimento com a namorada. Então em vez de perceber que tem um alter ego que cria clubes e planeja o caos, ele encarna um tipo de Travis sem taxi.
Nessa vida de are-you-talking-to-me? ele resolve, não vingar as ruas, mas arranjar um emprego num supermercado, onde encontra uns tipos engraçados em quem podemos ver todo o lado do humor britânico do longa.
Ben imagina que consegue congelar o tempo, podendo apreciar a arte e a beleza, sobretudo, da forma feminina. A fotografia e toda a montagem do filme só não conseguem superar a sutileza do enredo. Acho que o mais legal é, não a carga de reflexão sobre a vida que Beleza Americana traz, mas a leveza e simplicidade de mostrar nas coisas pequenas e estranhas pelas quais passamos, certas ideias e monólogos sobre a fragilidade dos sentimentos de maneira sincera.
Simpático e descontraído, Cashback (além de tudo) nos faz ver a beleza nas coisas de uma forma diferente.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Once


Apenas Uma Vez pra ver várias.
A palavra chave aqui, além de lindo e Irlanda, é simples. Once consegue passar o que propõe sem necessidade de grandes momentos ou efeitos fenomenais, é tão simples que a filmagem chega a parecer caseira. É realmente um daqueles filmes que consegue ser bom sem grande esforço.
Apesar de achar que poderiam ter aproveitado melhor o cenário, já que Dublin é uma cidade bonita e nem tão comum em filmes, é compreensível o porque de não se prenderem às campinas, castelos e pontes. Mergulhamos na normalidade do lugar, no não tão excepcional, o que chega a ser aconchegante. Conseguiram transmitir a sobriedade e tranquilidade do dia a dia dos personagens, sem tirar o foco deles. E sim, não posso deixar de elogiar a trilha sonora, que encantadoramente completa o roteiro.
Então essa é a história de um músico de rua e uma vendedora de flores que se encontram e encontram em seus sonhos e talento, coragem para resolver as intempéries da vida. Toda a relação dos personagens é bonita,  a própria personalidade e vida deles completa o charme da história. Assim singelo, leve e amigável vai tomando um espaço no coração. 

*Os personagens principais tem uma banda além do filme, The Swell Season, que vale a pena procurar.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O 11 e o 13, como o 17 e o 19, o 41 e o 43.

Os números primos são divisíveis apenas por um e por eles mesmos. Na sequencia infinita de algarismos e combinações de algarismos, alguns chegam quase a ficar juntos, mas sempre existe um ou vários fatores que intercalam esse encontro.
A Solidão dos Números Primos conta a história de Alice e Mattia, cada um perdido em seu próprío conjunto de diferenças do resto da humanidade. Em alguma parte do drama, eles se encontram e é como se, em suas particularidades, se entendessem. "Estavam unidos por um fio elástico e invisível, encoberto por um monte de coisas sem importância, um fio que podia existir apenas entre duas pessoas como eles: dois que reconheceram a própria solidão, um no outro."
Além de tudo, A Solidão me fez pensar nas situações perdidas entre palavras não ditas e atitudes não tomadas, na dor no peito e o engasgo inexistente fixo na garganta. No quanto todas as frações de segundo alteram os cursos das vidas. Em como cada ínfimo detalhe ou veia de pensamento define cargas de situações que ainda vão vir. Nesse ponto, a história acabou me lembrando Cinco Centímetros Por Segundo, o que acho que contribuiu por me deixar com essa tristeza e insatisfação com a vida no final. Mas acho que fiquei mais triste não por como terminou, mas pelo simples fato de ter terminado, pelo vazio que me restou na ultima página e por me despedir da familiaridade dos personagens, a quem me afeiçoei muito.
Já sinto uma falta enorme da Alice e do Mattia e no fundo do coração ainda acredito que tudo acabou bem na vida deles.
Tudo isso de pequenas coisas e o curso que delimitamos por vezes quase involuntariamente pra vida pode levar à infinitas reflexões, mas acabo pensando no quanto tudo isso é triste ao mesmo tempo não sendo, já que no fim, independente do que aconteça ainda sabemos nos levantar sozinhos.

segunda-feira, 7 de abril de 2014